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Política Cambial
Por Professor Iberê - sábado, 19 de maio de 2007, às 17:30:16

Caros alunos do terceiro ano.

Leiam com atenção o texto abaixo e lembrem-se de que os mecanismos da Índia para levar em frente sua política cambial é exatamente o oposto do que é feito pelo governo brasileiro.

Um abraço, boa leitura e excelente final de semana.

Iberê.

Mitos sobre política cambial Quinta, 10 de maio de 2007, 07h58  Antonio Corrêa de Lacerda   Meu artigo da semana passada Os estragos da valorização cambial mereceu recorde de mensagens dos leitores. Não sem razão. A questão cambial no Brasil é bastante polêmica. Desde o início de 1999, o País convive com o regime de câmbio flutuante. Houve ganhos na opção realizada. Com a ajuda de um cenário internacional favorável, houve uma expressiva diminuição da vulnerabilidade externa nos últimos anos. No entanto, alguns mitos têm dificultado uma discussão mais aprofundada sobre o tema, especialmente quanto às causas e conseqüências da valorização do real frente às demais moedas.

O primeiro mito é que a opção pelo regime de flutuação cambial implica aceitar a taxa definida pelo mercado. Não por acaso, a imensa maioria dos países adota o câmbio flutuante, porém administrado. Também chamada de flutuação suja, os bancos centrais definem uma banda, na maioria das vezes não explícita, mas a partir da qual conduzem os instrumentos de políticas, monetária e cambial, para evitar volatilidade excessiva, com valorização ou desvalorização cambial. Isso é ainda mais relevante para os países, como o Brasil, que não possuem moedas conversíveis, ou seja, moedas transacionadas no mercado internacional.

O segundo mito é que a valorização do real nos últimos anos não tem afetado o desempenho das exportações. Os defensores dessa tese se apóiam no expressivo superávit comercial brasileiro de US$ 46 bilhões em 2006. O fato é que nosso desempenho pífio tem sido mascarado pela valorização de preços no mercado internacional, especialmente das commodities. Em volume físico (quantum), o ritmo de crescimento das nossas exportações está em queda livre. De 19,9% em 2004, reduziu-se a 9,9% em 2005 e a apenas 3,3% em 2006. A prevalecer essa tendência, o desempenho de 2007 será muito provavelmente negativo, mesmo com um mercado mundial que cresce cerca de 7% ao ano.

O terceiro mito é o de que as empresas acabam se adaptando ao câmbio valorizado. Elas de fato se adaptam, mas essa adaptação embora justificável do ponto de vista microeconômico, diante da necessidade de sobrevivência ou expansão das empresas, na maioria das vezes não é favorável à nação. Ocorre um processo de desestímulo aos investimentos produtivos. O câmbio valorizado significa uma espécie de "subsídio" às importações. Não por acaso, ao contrário do que está ocorrendo com as exportações, as importações brasileiras em volume físico (quantum) vêm crescendo fortemente, 16% em 2006, com destaque para o crescimento de 74% nas importações de bens de consumo.

O quarto mito é o que o câmbio valorizado promove mais competitividade e se traduz em desenvolvimento. O que tem de fato ocorrido é que esse processo de valorização cambial está roubando parcela expressiva do Produto Interno Bruto. Em 2006, estimativas dão conta que o setor externo representou uma contribuição negativa de 1,7% de crescimento anual por conta desse fator, com uma perda de investimentos, valor agregado local, empregos e renda.

O quinto mito é que as elevadas taxas de juros praticadas no Brasil não influenciam a taxa de câmbio. A questão é que a despeito da queda de 7,25 pontos percentuais na taxa nominal (Selic) ocorrida gradualmente, desde setembro de 2005, a taxa de juro real de 8,5% ao ano continua substancialmente acima da média internacional. Apesar de a entrada de capitais atraídos pela taxa de juro não ser relevante, o juro elevado distorce os preços dos produtos comercializáveis, influenciando a cotação da taxa de câmbio. O recurso do adiantamento dos contratos de exportação faz da taxa de juros um compensador. Além disso, há as operações cambiais no mercado internacional em que se negocia, sem necessariamente realizar a entrada ou saída física de moeda (as NDF's).

A questão é complexa, mas precisa ser enfrentada. O Brasil tem recorrentemente incorrido no erro da valorização do câmbio, em um caminho exatamente inverso ao adotado pela maioria dos países em desenvolvimento melhor sucedidos no crescimento. Isso pode trazer resultados de curto prazo, mas, no médio e longo prazos, inviabiliza qualquer projeto de desenvolvimento. É preciso aperfeiçoar o arcabouço das políticas macroeconômicas - cambial, monetária e fiscal - para sair dessa verdadeira armadilha.

Antonio Corrêa de Lacerda é professor-doutor do departamento de economia da PUC-SP e autor, entre outros livros, de "Globalização e Investimento Estrangeiro no Brasil" (Saraiva). Foi presidente do Cofecon e da SOBEET.Fale com Antonio Corrêa de Lacerda: alacerda@terra.com.br
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O jornal não morreu.
Por Professor Iberê - sábado, 19 de maio de 2007, às 13:19:54

Meus amigos. Este texto é curto e objetivo, mas explica muita coisa e a imagem é eloqüente. Boa leitura! Iberê. 22.09.06 O jornal não morreu por Patricia Campos Mello, Seção: BRICs às 10:59:02.

No mês passado, a bíblia britânica da informação econômica, a revista The Economist, constatou: o jornal está morrendo. A internet está matando a forma mais tradicional de mídia. Nas próximas décadas, metade dos jornais dos países ricos vai falir. A tiragem dos diários está caindo ou sobe muito pouco. No Brasil, não é diferente. Todos os grandes jornais, O Estado inclusive, lutam para ganhar leitores.

Mas a Índia mostra que o jornal pode, sim, sobreviver. A Índia é um dos poucos países do mundo onde a circulação dos jornais diários está crescendo de forma vigorosa - cerca de 10% ao ano. O país tem 40 jornais em inglês e línguas locais como telugu, hindi, rajasthani, gujarati, etc. Com 78,7 milhões exemplares vendidos por dia, a Índia é o segundo maior mercado mundial para jornais (atrás da China, com 96,6 milhões). No Brasil, em que pese a diferença no número de habitantes, são vendidos diariamente apenas 6,8 milhões.

Juntos, os três maiores jornais indianos de língua inglesa (Times of India, The Hindu, Hindustan Times) têm uma circulação de 4,5 milhões. (só para comparar, juntos, Estado, Folha e o Globo tem circulação diária de pouco mais de 1 milhão de exemplares).

Os dois principais jornais em hindi (Dainik Jagaran e Dainik Bhaskar) vendem ainda mais -4 milhões por dia cada um.

"Muitos indianos só liam em sua língua local e agora passaram a ler em inglês", explica-me um dos editores do The Hindu. Além disso, a Índia, que tem 40% (!!!) de analfabetos, tem um grande potencial para aumento de leitores, diz.

A fórmula dos jornais indianos é cortar drasticamente o preço dos jornais - o Times of India é vendido por 1,5 rúpia (cerca de 1 centavo de real), um prejuízo de 10 rúpias por exemplar (50 centavos)- para aumentar a circulação e publicidade.

Foto: Patrícia Campos Mello


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