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Em São Paulo, 100 mil pedem novas eleições e “Fora Temer”
Por Enya (A-9) - domingo, 04 de setembro de 2016, às 21:38:23
Categoria: Postagem Livre
Logo após o encerramento do ato, PM atira bombas e jatos de água nos manifestantes. Capital teve atos contra Temer e repressão da polícia durante toda a semana

Pela quinta vez em sete dias, a avenida Paulista foi palco de mais uma manifestaçãocontra o governo de Michel Temer, pontuados por críticas ao presidente recém-empossado, pedidos de novas eleições e marcados, na semana anterior, quando transcorreu oprocesso de impeachment de Dilma Rousseffpelo Senado Federal, por pesada repressão da Polícia Militar na capital paulistana.

O ato de domingo 4, convocado pelas redes sociais e organizado,entre outros, pela Frente Povo Sem Medo e Brasil Popular, que reúnem juntas 90 grupos, com a adesão de centrais sindicais, movimentos sem teto e de entidades estudantis, iniciou-se pacificamente e reuniu 100 mil manifestantes, de acordo com estimativas dos organizadores. Logo após o anúncio de encerramento do ato pelos organizadores, a Polícia Militar jogou muitas bombas de gás e de pimenta e utilizou jatos de água contra os manifestantes. A manifestação partiu do vão do Masp rumo ao Largo da Batata, na zona oeste da capital. 

Durante todo o ato, a  tropa de choque da PM esteve posicionada na avenida Paulista e depois acompanhou o protesto até seu destino final. 

Os milhares de manifestantes concentraram-se em frente ao Masp entre 16h e 18h20, quando a via começou a ser fechada novamente para pedestres, e começaram a se dirigir para o Largo da Batata, seguindo pela avenida Rebouças. A frente do ato chegou ao local de destino por volta das 19h30 e o protesto foi declarado encerrado uma hora depois.  

Na quinta-feira 2, o governo de Geraldo Alckmin anunciou, por meio da Secretaria de Segurança Pública, a proibição de manifestações no domingo 4 na avenida Paulista. Em nota, o motivo alegado foi a passagem da tocha paraolímpica.

Após mediação entre a Secretaria de Segurança Pública e representantes dos organizadores da manifestações, feita pela Prefeitura, a via foi liberada para o ato, contrário a Michel Temer e com pedidos de novas eleições, depois que os organizadores "atenderam ao apelo para iniciar a concentração a partir das 16:30, preservando, com segurança, a passagem da tocha paralímpica e garantindo o direito democrático de livre manifestação", declarou o prefeito Fernando Haddad por meio do seu perfil oficial no Facebook.

Na sexta-feira 3, Michel Temer disse que as manifestações são "grupos pequenos e depredadores" e declarou que os atos não comprometiam o início de seu governo porque são promovidos por "40 pessoas que quebram carro". Nas contas dos organizadores, cerca de 100 mil pessoas manifestaram-se com pedidos de "diretas já" e "fora Temer".

De acordo com pesquisa Ibope divulgada neste sábado 3, 41% dos paulistanos consideram o governo Michel Temer "ruim ou péssimo", 36% classificam como regular e 13% "ótimo/bom". Nas demais capitais, a aprovação positiva do peemedebista oscilou entre 8 e 19%, enquanto que a desaprovação foi de 31 a 53% dos entrevistados.

Repressão policial

Nos atos ocorridos em São Paulo na semana do impeachment, a Polícia Militar seguiu um roteiro quase sempre igual, como reportou a Ponte Jornalismo. Nas manifestações da capital paulista na segunda-feira 29, a PM impediu a passagem dos participantes alegando que não havia sido informada do trajeto, após o primeiro disparo de uma bomba de efeito moral, houve uso de gás lacrimogêneo, tiros de bala de borracha e os caminhões da Tropa de Choque municiados de jatos d’ água.

Na terça 30, a manifestação na Avenida Paulista saiu do Masp e seguiu até a Praça Roosevelt. Após decisão da marcha de seguir até o jornal Folha de S.Paulo, o ato foi impedido de continuar e, na sequência, novamente houve repressão no centro da cidade.

Na quarta 31, em um ato mais expressivo, estimado em 10 mil participantes, a manifestação partiu do Masp e chegou até Consolação. Após alguns manifestantes tentarem bloquear a passagem dos carros nos dois lados da via, policiais novamente realizaram manobras de cercamento e dispersão dos participantes do protesto.

Durante o ato, alguns manifestantes colocaram fogo em sacos de lixo nas vias, de forma a impedir o avanço da PM e também houve atos de depredação. Manifestantes publicaram nas redes sociais fotos e vídeos de pessoas correndo e houve relatos de feridos. Um dos casos mais graves foi o da estudante Débora Fabri, 20 anos, que perdeu a visão do olho esquerdo após ser atingida estilhaços de bombas lançadas por policiais militares durante o ato. Trata-se do terceiro caso desde 2013 em que manifestantes ou profissionais da imprensa ficam cegos durante a repressão da Polícia Militar a protestos em São Paulo.

Fonte: http://www.cartacapital.com.br/politica/em-sao-paulo-100-mil-pedem-novas-eleicoes-e-fora-temer




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Rio 2016: a Olimpíada das mulheres
Por Enya (A-9) - domingo, 04 de setembro de 2016, às 21:30:27
Categoria: Postagem Livre
A luta pela equidade se dá em múltiplos domínios. Nas Olimpíadas, a busca pela metade que nos cabe está acontecendo e vai continuar

As Olimpíadas são uma fonte copiosa de símbolos que ajudam a ilustrar certas abstrações da teoria social. Entre críticas ao modelo de execução e questionamentos acerca do legado cabe um sem-fim de outras análises, como aquela que contrasta a recepção calorosa dada à delegação de refugiados na cerimônia de abertura do evento com o tratamento dado aos refugiados em geral, que revela a euforia cínica da sociedade do espetáculo.

Tensões raciais, muito embora variedade étnica seja esperada visto que o evento é global, também podem ser articuladas ao ser levantado o histórico de proibições impostas a não-brancos no evento. (Proibições impostas por pessoas brancas, vale ressaltar o óbvio.)

No quesito diversidade sexual, o maior número de atletas assumidamente lésbicas e gays da história dos jogos, e com o dobro do número computado em Londres, pode ser um sinal positivo de maior aceitação social.

Questionar o caráter binário da divisão de gênero do evento pode parecer uma proposta, digamos, futurista para muita gente (embora seja importante lembrar que romper o binário em outras esferas já seja a realidade de um outro tanto), e é de dentro dele que faço minha análise.

Esta é a Olimpíada com a maior participação feminina da história: 45% das atletas disputando no evento são mulheres. Isso é motivo de celebração, e deve ser: nunca estivemos tão próximas da equidade, ainda que apenas em número de participação.

É significativo que estejamos celebrando o que ainda nem conta como equidade plena: é indicativo de que a luta feminista por equidade é mesmo por equidade, pois a equidade não existe nem se levarmos em consideração apenas que sequer o mais alto percentual histórico de participação de mulheres numa Olimpíada não chega aos 50%.

Além dos números e da indefectível objetificação do jornalismo tarado, também vale prestar atenção na ênfase dada a conquistas de homens em detrimento das conquistas de mulheres.

Somente durante esta Olimpíada, créditos já foram atribuídos ao marido e treinador da húngara Katinka Hosszú por uma conquista que, mesmo com a ajuda dele, é primordialmente dela (nessa nota, nunca vi ninguém creditando Judy Murray, mãe e ex-técnica de Andy, por suas múltiplas vitórias), e uma manchete do Greeley Tribune, jornal do Colorado, EUA, destacou a prata de Michael Phelps deixando em segundo plano os quatro novos ouros e recorde mundial de Katie Ledecky.

Tudo isso só na natação, que ainda por cima acabou sendo pauta viral porque a nadadora chinesa Fu Yuanhui atribuiu a má performance da disputa à sua menstruação. Nada – além dos aparentemente difíceis de enxergar machismo e misoginia – explica que falar sobre algo tão prosaico para portadoras de úteros como menstruação ainda seja quebrar um tabu.

Vale resgatar a introdução de Pierre Bourdieu ao texto Da dominação masculina, preâmbulo de seu quase homônimo livro: “A dominação masculina está tão arraigada em nosso inconsciente que não a percebemos mais, tão de acordo com nossas expectativas que até nos sentimos mal em questioná-la. Mais do que nunca, é indispensável destruir as evidências e explorar as estruturas simbólicas do inconsciente androcêntrico que sobrevive nos homens e nas mulheres. Quais são os mecanismos e as instituições que realizam o trabalho de reprodução do ‘eterno masculino’? É possível neutralizá-los para liberar as forças de transformação que eles conseguem obstruir?”

A luta pela equidade se dá em múltiplos domínios. No contexto Olímpico a busca pela metade que nos cabe (e metade no mínimo, lembrando que somos 52% da população mundial, ou seja, nunca fomos uma “minoria”) está acontecendo e vai continuar, seja a demanda por representatividade com números, por representação livre de objetificação, ou por protagonismo , material ou simbólico.

No tenso jogo que levou a seleção feminina de futebol às semifinais, Chloe Logarzo fez um gesto em campo que contribuiu com o coro da #OlimpíadaDasMulheres justamente por fazer o que Bourdieu propõe: “explorar as estruturas simbólicas do inconsciente androcêntrico”.

A jogadora australiana obstruiu a doxa patriarcal com medalha de ouro na modalidade iconoclastia do falocentrismo vigente, mesmo que na transmissão ao vivo por rádio e TV comentaristas tenham descrito suas mãos espalmadas e unidas pelas pontas dos dedos mais ou menos na altura do útero – provavelmente representando uma vagina – como “um coração”.

O que poderia ter sido descrito como uma manifestação gestual do empoderamento feminino – para dar um exemplo de um eufemismo possível, já que falar sobre vaginas ou pênis em rede nacional também é tabu – foi imediatamente ressignificado como o genérico “coração”.

Quer tenha sido por ausência de (re)conhecimento ou por pudor, a manifesta vagina simbólica de toda forma foi apagada da narrativa da mídia para ser reconfigurada como um outro símbolo, menos contestado. Um coração não é mais ameaçador do que uma vagina – mas parece que simplesmente falar sobre um deles é.

Outro espetacular lembrete disso tudo, que antecipou as inevitáveis e esdrúxulas comparações que a mídia insiste em fazer entre atletas mulheres e homens, foi condensado na seguinte declaração: “Eu não sou o próximo Usain Bolt ou Michael Phelps. Sou a primeira Simone Biles”.

Asserção simples, que demonstra a força verdadeiramente transformadora da premiada ginasta estadunidense. #BlackGirlMagic desobstruindo a doxa patriarcal com medalha de ouro nas modalidades protagonismo e poder de fala.

Fonte: http://www.cartacapital.com.br/sociedade/rio-2016-a-olimpiada-das-mulheres


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Turquia: entenda a tentativa de golpe e suas repercussões
Por Enya (A-9) - segunda, 18 de julho de 2016, às 16:39:45
Categoria: Postagem Livre
O desfecho inevitável da intervenção militar é um país menos democrático e mais instável

Até a publicação deste texto, a situação na Turquia era incerta. Soldados e civis disputavam o controle de redações de jornais e canais de televisão em Istambul, enquanto caças e helicópteros bombardeavam prédios governamentais em Ancara, a capital do país, e tanques de guerra atacavam o Parlamento.

No aeroporto Ataturk, também em Istambul, o presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, era recebido por uma multidão ao voltar do balneário de Marmaris, onde estava quando uma facção das Forças Armadas anunciou a derrubada do governo, na noite desta sexta-feira 15. Relatos de mortos e feridos se acumulavam, mas a quantidade era impossível de atestar.

Certeza só há sobre o futuro imediato da Turquia, sem dúvida sombrio. A tentativa de golpe, que seria o quinto no país nos últimos 56 anos, chega em um momento no qual Erdogan atingia o ápice de uma guinada autoritária iniciada em 2013.

Por si só, este processo já ameaçava o futuro democrático turco. Com o advento da tentativa de golpe, a situação tende a se agravar. 

Presidente da Turquia desde agosto de 2014, Erdogan foi primeiro-ministro por 11 anos antes disso. Desde a primeira vitória eleitoral, em 2002, o Partido Justiça e Desenvolvimento, conhecido como AKP, é a força dominante na política turca. Em todos os pleitos realizados na última década, a sigla oscilou entre 40% e 50% das intenções de voto.

O grosso desse eleitorado é a massa conservadora turca que por décadas foi subjugada por uma elite secular ligada aos militares. Sob Erdogan, esses religiosos praticantes puderam pela primeira vez na história do país prosperar e almejar poder político.

Originalmente ligado ao islã político, ideologia segundo a qual a religião pode resolver todo e qualquer problema criado pela modernidade, Erdogan moderou suas posições e fez do AKP exemplo do que poderia ser a conciliação entre a democracia e o mundo muçulmano.

As coisas começaram a mudar em 2013. Entre maio e agosto daquele ano, Erdogan mostrou sua face autoritária ao comandar a repressão contra os manifestantes contrários a um polêmico projeto de desenvolvimento urbano centrado no Gezi Park, em Istambul.

Em dezembro do mesmo ano, seu governo foi abatido pela revelação de um enorme escândalo de corrupção envolvendo ministros e a própria família de Erdogan. Dezenas de pessoas foram acusadas de se beneficiar de um esquema para burlar as sanções econômicas impostas ao Irã pelos Estados Unidos, por meio de trocas ilegais de ouro por petróleo.

A resposta de Erdogan foi brutal. O então premiê turco iniciou um expurgo nas forças policiais, no ministério público e no Judiciário, de forma a remover autoridades que lideravam as investigações. Como justificativa, acusou muitas dessas figuras de serem integrantes do Hizmet, um movimento social e religioso que, por mais de uma década, apoiou o AKP.

Liderado pelo imã muçulmano Fethullah Gulen, que desde 1999 vive em um auto-exílio nos Estados Unidos, o Hizmet (serviço, em turco) se dedica majoritariamente a obras educacionais, por meio das quais adquiriu influência significativa na sociedade da Turquia, mas seus integrantes também atuam com destaque na mídia e no empresariado turco. Pouco transparente, o Hizmet foi acusado de montar um "estado paralelo" e atuar para derrubar o governo.

A perseguição serviu para abafar as investigações de corrupção, mas também para ampliar o poder de Erdogan. Hoje, o Hizmet encontra-se praticamente desmontado em território turco, mas outros críticos do presidente, em diversos setores da sociedade, também estão acuados. A Turquia é o quarto país com mais jornalistas presos e o Judiciário recentemente viu 3,7 mil juízes e promotores serem removidos de seus postos por meio de um único decreto presidencial. 

A perseguição esgarçou o tecido social turco. Há um temor intenso de cidadãos comuns de serem presos unicamente por criticar o presidente. Dentro e fora do país, famílias estão rompidas por conta da crise política. Contribuem para este cenário a retomada do conflito com os separatistas curdos, promovida por Erdogan, e a intensificação da atuação da Turquia na Síria. Por conta desses dois eventos, o país se tornou alvo de inúmeros atentados – apenas no último ano, foram oito grandes ataques, que deixaram pelo menos 267 mortos e mais de mil feridos. 

Nesta sexta-feira 15, Erdogan não esqueceu o Hizmet. Ele atribuiu o golpe ao movimento (que criticou a intervenção militar), embora seja pouco crível que as Forças Armadas, cuja autoimagem é centrada na defesa de um estado laico, tenham qualquer simpatia pelos conservadores do Hizmet. No breve comunicado que fizeram horas após o início do golpe, os militares disseram estar atuando para restaurar a democracia e criticaram o governo por "erodir a tradição secular da Turquia".

No momento da publicação deste texto, o desfecho do putsch estava indefinido, mas muitos elementos indicavam que o movimento falharia. Por um lado a Turquia se livraria de uma desoladora ditadura militar sem data para acabar, como a do Egito, mas por outro Erdogan sairá fortalecido e pronto para intensificar sua tentativa de criar um governo de um homem só, nos moldes do que Vladimir Putin faz na Rússia. 

O momento chave desta empreitada deve vir em breve. Erdogan trabalha para obter, seja por meio do Legislativo, seja por meio de um referendo, a troca do regime parlamentarista da Turquia por um presidencialista. Se conseguir esse feito, Erdogan assumirá ainda mais o controle do país, inclusive sobre as Forças Armadas, agora expurgadas dos golpistas desta sexta-feira. Sem a sombra militar, que sempre pairou sobre suas ações, Erdogan não terá mais contrapesos a seu poder e estará livre para moldar a Turquia a seu próprio gosto.

Fonte: http://www.cartacapital.com.br/internacional/turquia-entenda-o-golpe-e-suas-repercussoes


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O Brexit e a globalização
Por Enya (A-9) - segunda, 18 de julho de 2016, às 16:31:21
Categoria: Postagem Livre
Um economicismo dissimulado impede a criação de instâncias jurídicas integradoras e genuinamente igualitárias
"O Brexit é um desastre, mas podemos construir sobre as ruí­nas”, proclamou em sua coluna do The Guardian o escritor e ambientalista George Monbiot. Desastre ainda maior, diz ele, é a tentativa de reverter a decisão da maioria encabeçada por parlamentares, advogados e 4 milhões de derrotados no Plebiscito.

voto a favor da saída da União Europeiaé a expressão dos mais toscos sentimentos da maioria, os nacionalistas xenófobos atormentados pelos temores da presença do outro, o diferente. Esse reconhecimento não impede o escritor de botar o dedo na ferida que maltrata a sociedade da Grã-Bretanha e da Europa.

A escara, em sua opinião, foi infligida aos pobres e esquecidos por uma oligarquia econômica escorada em teorias políticas e econômicas que um dia haveriam de se chocar com a realidade.

“O neoliberalismo não entregou o nirvana meritocrático prometido por seus ideólogos, mas ofereceu o paraíso aos rentistas, com retornos estonteantes para quem assalta primeiro o castelo, deixando os trabalhadores produtivos do lado errado do fosso. A era do empreendedorismo tornou-se a era dos rendimentos financeiros, a era do mercado transformou-se na era das falhas do mercado e a era das oportunidades, uma gaiola de aço para aprisionar os contratos zero-hour e o trabalho precário.”

Na terça-feira 28, na posteridade do Brexit, o programa Milênio da Globonews ofereceu aos espectadores as ideias de Alan Supiot, jurista francês que se dedica ao estudo da legislação trabalhista no âmbito das relações entre direito e economia.

Supiot escreveu mais de uma dezena de livros a respeito desses temas cruciais para a vida do indivíduo contemporâneo, tensionado entre os empuxes dos mercados e os anseios da cidadania. Entre tantos escolhi um deles, A Governança pelos Números.

No capítulo 7, Calcular o Incalculável, o autor procura demonstrar a convergência entre o direito na sociedade planificada soviética e os princípios jurídicos que inspiram a governança imposta pelo neoliberalismo.'

Tal como a planificação soviética, as políticas neoliberais se orientam pelos imperativos do “reino da quantidade” em detrimento do liberalismo clássico, que entendia imprescindível a submissão da ordem contratual ao reino do direito na sociedade de interesses divergentes e contrapostos. “Os cálculos do interesse individual não podem mais ser referidos ao valor incalculável de um imperativo categórico posto pelo direito.”

Ao enclausurar os interesses divergentes dos cidadãos no calabouço do cálculo utilitarista de um único “agente representativo”, o direito do neoliberalismo abandona sua condição de referência comum para coordenar as diferenças.

As cifras que submetem os comportamentos e os interesses e anulam as diferenças não são mais fixadas por uma autoridade superior planificadora, mas impostas por uma autoalegada “racionalidade do mercado” que se incumbe de planejar o desempenho da economia e estabelecer os limites dos direitos e do Direito.

Imagino que os fâmulos da escassez argumentem com os limites físicos do atendimento às reinvindicações “excessivas”. Não há como ignorá-los, assim como não há como duvidar de sua pertinência diante das façanhas do produtivismo capitalista.

O capitalismo da grande indústria, da finança e da construção do espaço global, entre crises e recuperações, exercitou os poderes de transformar e dominar a natureza e até mesmo de reinventá-la, suscitando desejos, ambições e esperanças.

A admirável inclinação para revolucionar as forças produtivas aproxima homens e mulheres do momento em que as penas do trabalho subjugado ao mando de outrem estão prestes a ser substituídas pelas delícias e liberdades do ócio com dignidade.

Os avanços da microeletrônica, da informática, da automação dos processos de trabalho na indústria, na agricultura e nos serviços já permitem vislumbrar a libertação das fadigas que padecemos em nome de uma ética do trabalho que só engorda os cabedais dos que nos dominam.

Na contramão dessas esperanças, as realidades da globalização calculadora e economicista entregam a escassez para muitos e a abundância para poucos. A oposição globalização versus Estado-nação dissimula a dominação do economicismo calculador, o que, entre outras desgraças, em seu ímpeto nivelador, impede a criação de instâncias jurídicas integradoras e genuinamente igualitárias no âmbito internacional.

Decisões unilaterais e particularistas como o Brexit só provocam a desintegração dos valores universais da liberdade, igualdade e fraternidade. 

Fonte: http://www.cartacapital.com.br/revista/908/o-brexit-e-a-globalizacao


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Forças curdas e árabes bloqueiam na Síria principal rota do EI à Turquia
Por GeoBlog - sexta, 10 de junho de 2016, às 20:57:42
Categoria: Postagem Obrigatória

Forças curdas e árabes cercaram completamente a cidade de Manbij. Cidade era o cruzamento estratégico na rota de abastecimento do EI.

A principal rota de abastecimento do grupo Estado Islâmicox (EI) entre Síria e Turquia ficou bloqueada depois que forças curdas e árabes cercaram completamente a cidade de Manbij, um duro golpe para os jihadistas.

Ofensiva contra Manbij bloqueou rota de abastecimento do EI (Foto: Rodi Said/Reuters)

"A última rota entre Manbij e a fronteira turca foi bloqueada nesta manhã pelas Forças Democráticas Sírias (FDS)", uma coalizão de curdos e árabes apoiada pelos Estados Unidos, disse à AFP Rami Abdel Rahman, diretor do Observatório Sírio de Direitos Humanos (OSDH), que conta com uma grande rede de fontes em todo o país.

Manbij era o cruzamento estratégico na principal rota de abastecimento de combatentes, armas e dinheiro para o EI entre Turquia e Raqa (norte), capital de fato dos jihadistas na Síriax.

O Estado Islâmico ainda controla uma faixa da fronteira com a Turquia e rotas secundárias, de acesso mais difícil e perigoso, acrescentou Abdel Rahman.

"Para que os jihadistas cheguem de Raqa à fronteira turca, devem passar agora por uma rota mais perigosa para eles devido à proximidade das tropas do regime sírio e dos bombardeios russos", explicou.

Nos últimos dias, a aliança árabe-curda das FDS, apoiada por ataques aéreos da coalizão liderada pelos Estados Unidos, conseguiu bloquear a rota que une Manbij com o outro ponto de passagem de Jarablos, mais ao norte.

Nesta sexta-feira também "ocuparam a última estrada que une Manbij com a passagem fronteiriça de Al Rai, do lado noroeste", disse Abdel Rahman.

O cruzamento entre Manbij e Raqa, mais a leste, também está bloqueado.

Milhares de habitantes fugiram de Manbij quando os jihadistas, que expulsaram suas famílias, se entrincheiraram para defender a cidade, segundo o OSDH.

Entrada do primeiro comboio de ajuda humanitáriaNo início desta semana, o comando militar americano para o Oriente Médio indicou que a ofensiva de Manbij formava parte dos esforços dirigidos a "expulsar o Daesh (acrônimo do EI em árabe) da fronteira turca" e "a limitar a chegada de combatentes estrangeiros e minimizar a ameaça do Daesh contra a Turquia, a Europa e os Estados Unidos".

O EI enfrenta há semanas na Síria as ofensivas das FDS e as das tropas do regime de Bashar al-Assad, apoiadas pela aviação russa.

As múltiplas ofensivas ilustram a determinação dos russos e dos americanos, que apoiam atores diferentes do conflito, de unir seus esforços na luta contra o EI, grupo ultrarradical responsável por terríveis atrocidades cometidas na Síria e no vizinho Iraquex, assim como de mortíferos atentados em todo o mundo.

Além disso, um comboio de ajuda humanitária com comida entrou na noite de quinta-feira em Daraya pela primeira vez desde que o regime sírio começou, em 2002, o cerco a esta cidade rebelde próxima a Damasco, anunciou à AFP Tammam Mehrez, diretor de operações do Crescente Vermelho sírio.

Comentário: As forças curdas bloqueiam a rota entre Manbij, cruzamento estratégico para abastecimento de combates para o Estado Islâmico, e a fronteira turca. Para os jihadistas, agora, tendo apenas acesso a rota perigosa para eles por causa da proximidade das tropas do regime sírio e dos bombardeios russos. 


Fonte: https://www.google.com.br/amp/g1.globo.com/mundo/noticia/2016/06/forcas-curdas-e-arabes-bloqueiam-na-siria-principal-rota-do-ei-a-turquia.amp?client=safari#


Larissa 3ºA-nº17; Giovanna 3ºA-nº12; Nathália 3ºA-24; Enya 3ºA-nº9


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