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Pedro (A-27)

Detenção em massa após a tentativa de golpe de Estado na Turquia
Por Pedro (A-27) - sábado, 16 de julho de 2016, às 23:00:23
Categoria: Postagem Livre

Forças leais ao presidente Erdogan detêm 2.800 militares pela relação com a tentativa de golpe
Mais de 2.800 militares, entre eles vários oficiais do alto escalão, foram detidos por terem relação com a tentativa de golpe de Estado na Turquia, na qual morreram 265 pessoas, entre elas 104 militares golpistas e 47 civis, segundo informações do presidente Recep Tayyip Erdogan. O Governo deu por sufocada a tentativa de golpe, fracassado principalmente pela resistência da população nas ruas. Ainda não está claro quem está por trás da tentativa de golpe, que deixou também 1.440 feridos. Mas a instabilidade permanece nas principais cidades do país, na capital, Ancara, e em Istambul. O Governo convocou seus seguidores para que continuem nas ruas para evitar novas tentativas de golpe.

Além disso, 2.745 juízes foram destituídos neste sábado em todo o país pela Junta Superior de Juízes e Fiscais, segundo informa a agência de notícias pró-governo Anadolu e o canal de televisão NTV News. Também foi emitida uma ordem de detenção contra nove juízes do Supremo Tribunal, uma decisão tomada depois de uma reunião ocorrida para discutir as medidas disciplinares contra os suspeitos de ter vínculos com a tentativa de golpe. Uma tentativa que ainda não foi atribuída a nenhum grupo, mas que o presidente Erdogan responsabiliza a seu antigo aliado e agora inimigo Fethullah Gülen (exilado nos Estados Unidos) e à Irmandade Muçulmana, que o presidente vem, há anos, acusando de haver criado uma "estrutura paralela" dentro do Estado com o objetivo de derrubá-lo.

As horas que se seguiram ao golpe foram sangrentas. Além dos 104 supostos golpistas mortos, o chefe das Forças Armadas da Turquia em exercício, Umit Dundar, estimou em 161 policiais leais e civis mortos na rebelião militar.

Durante sua declaração, Erdogan disse que haviam tentado derrubar seu avião com os F-16 do Exército e que bombardearam seu hotel logo que ele havia saído do local. O presidente insistiu, porém, em que “isto terminará bem” e fez um chamado aos golpistas: “Vocês são nossos filhos”. “É inaceitável que dirijam vossas armas contra pais, mães e filhos. Se apontam as armas ao povo que as deu a vocês, arcarão com as consequências”.

O presidente turco exigiu que “todos aqueles que estejam conduzindo tanques na rua regressem a seus quartéis”. “Já começaram as detenções e chegaremos ao mais alto”, afirmou em tom sereno e vestido com terno e gravata, acompanhado de vários funcionários e diante de uma foto de Atatürk, o pai da Turquia moderna.

Paralelamente, o chamado de Erdoganà população para que defendesse o poder “democrático” resultou em enfrentamentos a tiros em Ancara e Istambul. A agência pró-governamental Anadolu informou que 17 policiais das forças especiais foram assassinados em uma academia de polícia da capital. Nessa mesma cidade vários tanques dispararam nas imediações do Parlamento e um avião de combate utilizado pelos golpistas foi derrubado. Também se escutou o ruído de bombas lançadas dos aviões de combate que sobrevoaram Ancara.

No centro de Istambul persistia o descontrole enquanto os tanques percorriam as ruas e os simpatizantes do presidente saíam às vias públicas e tomavam as principais praças, agitando bandeiras nacionais.

Os movimentos começaram por volta das dez da noite, quando caminhões de transporte de tropas estacionaram na entrada das pontes que cruzam o Estreito de Bósforo, em Istambul, e as fecharam ao tráfego. Pouco depois, em Ancara, os blindados e os tanques assumiram posições nas ruas e vários caças passaram em voos rasantes sobre a capital. Um pelotão de soldados golpistas se dirigiu ao Estado-Maior da Turquia e, com apoio do fogo aéreo de um helicóptero de guerra Sikorski, penetrou no edifício e tomou como refém o chefe do Estado-Maior, general Hulusi Akar.

Tudo se desenrolava com grande rapidez e em meio a enorme confusão. Mas, em geral, de acordo com o planejado pelos golpistas. Como em rebeliões anteriores, cercaram vários edifícios importantes na estrutura do Estado e instalações como o Aeroporto de Istambul, e assumiram o controle da rádio e televisão pública TRT, onde, depois de cortarem a transmissão, fizeram uma apresentadora ler um comunicado no qual afirmavam ter tomado o poder em razão das “ameaças” que a Turquia enfrenta e que o Governo é “incapaz” de combater, assim como a tendência “autocrática” do presidente Erdogan, ao qual acusaram de “traidor”. Anunciaram ainda um toque de recolher em todo o país, que passaria temporariamente a ser dirigido pelo chamado Conselho de Paz em Casa.

Os militares sublevados não contavam também com o fato de que o presidente Erdogan, considerado um islamista moderado, embora tenha uma forte rejeição, possui também um enorme apoio popular na Turquia. Bastava ver como foi recebido de madrugada no aeroporto. O levante militar o pegou fora de Ancara, mas, “de um lugar seguro”—segundo uma fonte de seu entorno, que não quis revelar a localização— fez um chamado, por uma ligação telefônica, na rede CNN-Turk: “Saiam às ruas, tomem as praças, vão ao aeroporto (de Istambul). O que vão fazer? Vão disparar contra o povo? Isto é um ataque contra a democracia”. Como em outras ocasiões em que o presidente turco apostou no tudo ou nada, desta vez também triunfou.

Milhares de pessoas começaram, então, a encher as praças, agitando bandeiras da Turquia, enquanto das mesquitas eram feitos chamados pela defesa do Governo democraticamente eleito. As pessoas tomaram as praças e subiram nos blindados do Exército sem que se registrassem distúrbios, exceto na ponte do Bósforo, onde militares abriram fogo contra os manifestantes.

À medida que transcorria a noite, os generais no comando da Marinha, do Primeiro e Terceiro Exército Terrestre, da Polícia Militar e outros destacamentos militares faziam chamados para que os rebelados voltassem aos quartéis. Pouco a pouco, e apesar de alguns combates —e várias explosões registradas no Parlamento, onde morreu um dos deputados que, em desafio, se reuniam ali—, o golpe foi perdendo força. Em torno das 2h30 da manhã (horário local), o chefe dos serviços secretos, Nuh Yilmaz, anunciava que o chefe do Estado-Maior tinha sido resgatado e se encontrava “no comando da situação”, O centro nacional de inteligência chegou a dizer que o golpe havia fracassado.

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, fez um chamado para que se evitasse “qualquer violência e derramamento de sangue” na Turquia e declarou seu apoio ao “Governo turco democraticamente eleito”. A essa apelo se uniram as Nações Unidas, a União Europeia, a OTAN e a Rússia, que fez um chamado em favor do respeito à lei.

Erdogan está há mais de uma década no poder na Turquia. Entre 2003 e 2014 foi primeiro-ministro e há dois anos passou a chefe de Estado. Desde o início do ano a Turquia registra pelo menos um atentado terrorista por mês

Tradição golpista

Embora a tradição golpista seja um vício constante dos militares turcos, seria incorreto equiparar todos os golpes de Estado ocorridos no país, pois cada um deles teve características diferentes, as quais revelam as disputas de poder, que, como na sociedade turca, têm lugar também no âmbito das Forças Armadas. O primeiro, de 1960, de tendência progressista —alguns autores o comparam aos golpes baathistas—, foi executado pela baixa oficialidade contra um governo conservador. Em 1971 foi a cúpula militar que interveio, mas somente alguns dias depois de desbaratar um complô de oficiais esquerdistas. Em 1980, depois de uma década de enfrentamentos entre a esquerda e a direita, o Estado-Maior tomou o controle do poder, liderado por um general muito conservador, e em 1997 voltou a ser a cúpula militar, dominada por kemalistas e eurasianistas, que agiu contra o Governo do mentor político de Erdogan, Necmettin Erbakan.

No caso atual, o fato de que a cúpula se tenha mostrado contrária indicaria uma participação de comandantes de patente mais baixa ou intermediária, de forma similar ao ocorrido em 1960. Segundo fontes do Governo, seriam oficiais ligados à irmandade de Fethullah Gülen, embora cause estranheza terem podido mobilizar um número considerável de forças militares, ainda mais considerando que o Executivo está há dois anos desbaratando as instituições de supostos gülenistas.

Fonte: www.brasil.elpais.com/brasil/2016/07/15/internacional/1468612953_710585.html


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Plebiscito revela 'Reino Desunido' e fosso entre gerações
Por Pedro (A-27) - sexta, 24 de junho de 2016, às 15:18:03
Categoria: Postagem Livre

O resultado do plebiscito a favor da saída do Reino Unido da União Europeia (UE) revelou profundas divisões entre os britânicos

Revelou, por exemplo, duas 'Inglaterras': Londres votou pela permanência, enquanto a maioria das outras cidades votou pela saída. A diferença entre as gerações também ficou clara. No grupo entre 18 e 24 anos, 64% disseram ter votado pela permanência, escolha de apenas 33% dos britânicos entre 50 e 64 anos.

O resultado levou ao anúncio de renúncia do primeiro-ministro David Cameron, que liderou a campanha pela permanência. 51,9% dos britânicos votaram pela saída contra 48,1%. Espera-se que o processo seja negociado ao longo dos próximos dois anos.

"O plebiscito revelou uma placa tectônica dividindo o Reino Unido. Uma ferida que dividiu a política e as estruturas sociais. Está longe de ficar claro se o reino ainda pode se declarar unido", escreveu o jornalista da BBC Mark Easton.

Abaixo, a BBC Brasil analisa mais detalhadamente essas divisões em três aspectos: político, geográfico e demográfico.

Político

Os principais partidos políticos apoiaram a campanha pela permanência. No entanto, havia grandes divisões internas, principalmente, no Partido Conservador, que governa o país.

O plesbiscito acabou forçando o primeiro-ministro David Cameron a anunciar sua renúncia poucas horas após a divulgação do resultado.

Ele havia prometido o plebiscito durante sua campanha, cumpriu a promessa, defendeu a permanência e acabou derrotado.

Não está claro quem o substituirá na liderança do partido e consequentemente no cargo de primeiro-ministro. Um dos cotados é o ex-prefeito de Londres, Boris Johnson, a principal voz em favor da saída do bloco. Eleições podem ser convocadas em outubro.

Também no Partido Trabalhista, o principal partido de oposição, havia divisões e também críticas à liderança de Jeremy Corbyn, considerada fraca na tentativa de convencer eleitores a adotarem a linha oficial do partido, pró-Europa.

Uma das possíveis razões para essa suposta falta de empenho vem da posição de setores mais à esquerda que defendiam que a competição com trabalhadores europeus, como poloneses, por exemplo, havia prejudicado os britânicos mais pobres, da chamada classe trabalhadora.

Essa disputa com europeus também havia prejudicado, segundo essas vozes mais à esquerda, o acesso de britânicos mais pobres a benefícios, como moradia subsidiada pelo governo.

Geográfico

O Reino Unido é formado por quatro unidades: Inglaterra, Escócia, País de Gales e Irlanda do Norte.

A referência ao 'Reino Desunido' se explica por resultados díspares em diferentes regiões. Na Escócia, por exemplo, 62% dos eleitores votaram pela permanência e apenas 38% pela saída.

Esse contraste no resultado com o resto do país pode renovar o ímpeto pela independência entre muitos escoceses. Em 2014, um plebiscito acabou decidindo pela permanência da Escócia no Reino Unido, e um dos argumentos principais da campanha contra a independência era o acesso à União Europeia via Reino Unido.

Em um pronuciamento na manhã desta sexta-feira, a primeira-ministra do governo escocês, Nicola Sturgeon, afirmou que "uma mudança significativa e material nas circunstâncias" deve tornar "muito provável" a realização de um novo plebiscito sobre a independência da Escócia.

"Dissemos (os escoceses) claramente que não queremos deixar a União Europeia. Estou determinada a fazer o que seja necessário para garantir que esse desejo seja concretizado", afirmou.

A Irlanda do Norte também votou pela permanência (55% contra 44%). O País de Gales votou pela saída (52,5% contra 47,5%).

O contrastre entre Londres e a maior parte da Inglaterra também foi considerável. Na capital, 60% votaram pela permanência e 40% pela saída.

O resultado renovou uma campanha, em tom de piada, para que Londres fizesse seu próprio plebiscito pela independência do resto do país: #independenceforlondon.

Essa diferença se explica, em parte, pela pujança econômica da cidade e pela maior presença de estrangeiros. Um dos temas principais da campanha conhecida como Brexit (junção entre as palavras Britain - Grã-Bretanha- e exit - saída) foi o controle da imigração.

Londrinos, no entanto, tendem a aceitar e a valorizar mais a globalização e a diversidade. Estão mais acostumados a seus efeitos, positivos ou negativos.

Demográfico

O fosso entre geração talvez seja o maior registrado na análise da votação do país, com os mais jovens optanto pela permanência na União Europeia e os mais velhos, pela saída.

No grupo entre 18 e 24 anos, 64% votaram pela permanência, segundo pesquisa de boca de urna do instituto YouGov. No grupo com mais de 65 anos, apenas 33% disseram ter votado pelo Reino Unido dentro do bloco.

Essa divisão gerou críticas de muitos jovens de que os mais velhos decidiram pelo futuro de quem, de fato, irá vivê-lo.

Em um comentário postado em uma reportagem do Financial Times, um leitor escreveu: "A geração mais jovem perdeu o direito de viver e trabalhar em 27 países. Nós nunca conheceremos a extensão da perda de oportunidades, amizades, casamentos e experiências que serão negadas. A liberdade de movimento nos foi retirada pelos nossos pais, avós e tios em um golpe contra uma geração já afundada nas dívidas da geração anterior. Talvez mais importante, vivemos em uma sociedade pós-factual em que fatos se revelaram inúteis ao se confrontarem com mitos".

Segundo o editor da BBC Mark Easton, a escolha feita pelos eleitores neste dia histórico foi entre um caminho (da permanência) que prometia um mundo moderno, cheio de oportunidades e baseado na interdependência e o outro caminho (da saída) que prometia levar à independência de uma terra que respeitaria tradição e herança cultural.

Fonte: www.bbc.com/por...617121


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Regulamentação do Uber no DF vai a votação na Câmara, em cenário indefinido
Por Pedro (A-27) - quarta, 22 de junho de 2016, às 20:35:16
Categoria: Postagem Livre

Do lado de fora da Casa, a Polícia Militar separou taxistas e motoristas do Uber. Os permissionários estão na entrada principal e os prestadores de serviço do aplicativo, na portaria mais próxima ao Eixo Monumental                                              O segundo dia de votação do projeto de lei que poderá regularizar o aplicativo Uber começou a portas fechadas, na Câmara Legislativa do Distrito Federal. Entre 10h30 e 12h58 desta quarta-feira (22/6), parlamentares se encontraram para discutir um texto único. Na reunião, distritais finalizaram o PL número 777 de 2015, que disciplina o Serviço de Transporte Individual Remunerado de Passageiros Baseado em Tecnologia de Comunicação em Rede no Distrito Federal (STIRP/DF).Nas primeiras linhas, o PL dá aos serviços de táxi do DF o direito à atuar no Strp, e define que caberá ao poder executivo local definir o “órgão de normatização fiscal” do serviço. O projeto cria, ainda, o Certificado Anual de Autorização, emitido pela Secretaria de Mobilidade para motoristas do Uber, por exemplo, após o pagamento de taxas e adequações do veículo a normas específicas. Dentre elas, estar emplacado no DF e adequado para receber cães guia e cadeirantes, por exemplo.

Há ainda diretrizes a serem cumpridas pela empresa, como Cadastro nacional de Pessoa Jurídica emitida no brasil e uma matriz ou filial na capital federal. Basicamente, para se adequar, o Uber terá que manter um escritório em Brasília. O texto define ainda, multas para infrações às normas. Para o motorista, os valores variam de R$ 600 a R$ 2 mil e, para a empresa, de R$ 50 mil a R$ 5 milhões, com valores dobrados para ambos, em caso de reincidência. Dia mais tranquilo

Do lado de fora da Casa, a Polícia Militar adotou uma nova estratégia para separar taxistas e motoristas do Uber. Os permissionários estão na entrada principal e os prestadores de serviço do aplicativo, na portaria mais próxima ao Eixo Monumental. Há um telão para que cada categoria acompanhe a votação e homens da corporação distribuídos na região para coibir provocações e evitar um possível confronto.Além disso, o número de presentes, até este momento, é bem menor que o desta terça (21/6), quando pelo menos 400 pessoas de ambas as categorias se aglomeraram nos arredores da Câmara. Fonte: http://www.correiobraziliense.com.br/app...a-em-cenario-indef.shtml
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"Brasil vai perder muitos cérebros com fim do Ministério da Ciência"
Por Pedro (A-27) - quinta, 16 de junho de 2016, às 21:10:36
Categoria: Postagem Livre

Astrofísica brasileira Duília de Mello, que trabalha na Nasa, critica fusão das pastas de Ciência e Comunicações pelo governo interino

por Deutsche Welle — publicado 16/06/2016 04h00

Por Roberta Jansen

Cientistas denunciam um retrocesso político e estratégico por trás da fusão do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação com o das Comunicações no Brasil. A pasta, criada em 1985 como parte do processo de redemocratização, foi extinta num momento de crise políticaprofunda, após o afastamento da presidente Dilma Rousseff. O movimento reabre o debate sobre o papel do conhecimento no desenvolvimento nacional.

As principais instituições científicas do país, como a Academia Brasileira de Ciências, a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, a Fiocruz e diversas universidades federais, já se pronunciaram contrárias à fusão. Cientistas foram às ruas em diversas manifestações pedindo a volta do MCTI.

Em entrevista à DW, a astrofísica brasileira Duília de Mello, que trabalha na Nasa e na Universidade Católica da América (CUA, na sigla em inglês), em Washington, frisa que investir em ciência é cuidar das "raízes do país". E considera preocupante os políticos brasileiros não compreenderem esse fato.

DW: Como você vê a extinção do Ministério da Ciência Tecnologia e Inovação?

Duília de Mello: É o fim da picada, fiquei deprimida. É um retrocesso de décadas.

DW: Por que é um retrocesso?

DM: Quando você acaba com um ministério dessa envergadura, você está também acabando com toda uma estrutura para a administração da ciência e tecnologia no país. Sob o ministério estão, por exemplo, o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), a Agência Espacial Brasileira, o Laboratório de Luz Síncrotron, o Observatório Nacional. Não temos mais um guarda-chuva, é um problema complexo; a quem todas essas instituições se reportam? O orçamento de todos os laboratórios de pesquisa do país vem do ministério, é importante ter um órgão que administre tudo isso, que estabeleça as prioridades da ciência.

DW: A fusão foi um erro?

DM: Foi um gesto irresponsável, para dizer o mínimo, principalmente numa área tão importante para o Brasil. Poderiam ter enxugado o ministério, diminuído a estrutura, mas não acabar com ele assim, e ainda botar junto a outro ministério com o qual não tem nenhuma afinidade. Vejo com muita preocupação essa medida do governo, que, aliás, é um governo interino. Não conheço a lei, mas acho que um governo interino não poderia estar fazendo todas essas mudanças tão rapidamente.

DW: Como é a repercussão dessa medida no exterior?

DM: É terrível, passa uma visão muito ruim do Brasil. Até porque o país participa de vários projetos internacionais, como o do Laboratório LHC [o grande colisor de partículas, na Suíça], o Observatório Europeu. Enfim, são muitos projetos. Eu não queria estar na pele desses pesquisadores.

DW: Em relação aos pesquisadores mais jovens, que estão se formando agora, qual é o impacto dessa medida?

DM: Ciência tem que ser levada a sério. O Brasil vai perder muitos cérebros com essa medida e dá um sinal muito ruim para os jovens que investiram na carreira, que estão começando carreira. Eles têm possibilidade de sair do país e é possível que o façam. Realmente não vejo nada positivo nesta decisão. Fico muito preocupada.

DW: O ministério foi criado no governo de Tancredo Neves, em pleno processo de redemocratização do Brasil após mais de 20 de ditadura. De lá para cá, o que mudou na ciência brasileira?

DM: O ministério organizou a ciência brasileira, e isso é uma coisa muito importante. Os grandes laboratórios e os institutos passaram a ser todos ligados ao ministério e isso fez com que melhorassem muito. Muitos deles, por exemplo, eram improdutivos, não havia prioridades como tem hoje. Os recursos e as prioridades passaram a ser coordenados. As sociedades científicas têm contato direto com o ministério. E é por isso que a ciência brasileira está indo bem.

DW: Então por que tanta gente critica a ciência brasileira?

DM: Claro que a ciência brasileira poderia estar melhor, claro que precisa de mais recursos, mas está indo bem. A gente vê melhoras significativas nesses mais de 30 anos. O número de publicações de cientistas brasileiros aumentou exponencialmente [o Brasil é o 13º país no ranking mundial de produção científica], a participação do Brasil em projetos científicos internacionais de grande porte também aumentou. Hoje há muitos cursos de doutorado no Brasil, bons cursos, ninguém mais precisa ir para o exterior para fazer um bom doutorado. E isso tudo é fruto do ministério. Ele também criou, há uns dez anos, toda uma área para divulgação da ciência, o que nunca existiu no Brasil, para popularizar a ciência, levá-la às regiões mais carentes. Não consigo entender como a ciência não é prioritária num país como o Brasil, acho preocupante ter que explicar a importância da ciência para os políticos.

DW: Um argumento usado para justificar o fim do MCT é o de que nos Estados Unidos não há um ministério da ciência e as coisas funcionam muito bem.

DM: Sim, claro. Mas aqui é diferente, porque todos esses órgãos estão diretamente ligados à presidência, à Casa Branca. É o caso da Nasa, do Instituto Nacional de Saúde. O sistema é diferente. Então, se a proposta fosse reformular o Brasil, fazer uma reforma política estrutural, aí tudo bem. Mas não foi isso que foi proposto.

DW: Em momentos de crise, alguns países optaram por um caminho inverso e aumentam o investimento em ciência. Como você avalia essa decisão?

DM: A Índia está fazendo isso. Já, já vamos começar a ver as consequências desse movimento. O país está investindo em ciência de ponta, criou um programa espacial, lançou um satélite, está fazendo testes com um ônibus espacial. Ou seja, decidiu que a espacial seria uma dessas áreas a receberem investimento para impulsionar as outras. A Coreia do Sul é outro bom exemplo, apesar de ser bem menor que o Brasil. O país investe maciçamente em ciência e educação e conseguiu mudar completamente em algumas décadas. De um país desconhecido passou a ser hoje líder em diversas áreas. Cada vez mais se vai ouvir falar da índia, que é parte do Brics. Há muita afinidade e acho que mais e mais vamos saber de histórias de sucesso, apesar de tantos problemas que o país tem, e ainda com uma população enorme.

DW: Como você explicaria a uma criança a importância da ciência no desenvolvimento de um país?

DM: Investir em ciência é investir nas raízes do país. Para as árvores darem frutos, têm que ter uma raiz forte. Ciência e educação são as raízes de um país. Formam a base do país. "Ah, mas e o transporte", alguém pode perguntar. Sim, o transporte é importante, mas é um ramo, não é a raiz. Primeiro a gente inventou a roda, depois fez o carro.

DW: Qual o papel da ciência no crescimento?

DM: Para um país ser líder, ocupar o ranking mundial com dignidade, tem que ter infraestrutura para ciência, tecnologia e inovação; ou será sempre uma árvore capenga, que qualquer ventinho derruba. E precisa de adubos, dos investimentos, da formação dos nossos doutores e professores para que passem esse conhecimento adiante. Não pode haver uma troca de presidente e tudo isso acabar. Falta essa visão de longo prazo, independente, que não seja vulnerável à política.

Fonte: www.cartacapital.com.br/politica/brasil-vai-perder-muitos-cerebros-com-fim-do-ministerio-da-ciencia


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Impunidade parlamentar
Por InMundo - sexta, 10 de junho de 2016, às 23:27:05
Categoria: Postagem Obrigatória

1) Por que Aécio está sendo investigado?

A suspeita é de que Aécio tenha atuado para "maquiar" dados enviados à chamada CPI dos Correios e esconder a relação entre o Banco Rural e o esquema conhecido como "mensalão mineiro" ou "mensalão tucano".

A CPI dos Correios foi uma comissão de inquérito parlamentar mista instaurada em maio de 2005 para investigar denúncias de corrupção em estatais, em particular nos Correios. A CPI era presidida pelo então senador Delcídio do Amaral (PT - MS). No âmbito de suas investigações, surgiram denúncias que acaram levando à investigação de outro escândalo, o do mensalão.

À época da CPI dos Correios, entre 2005 e 2006, Aécio era governador de Minas Gerais. Ao justificar a decisão de investigá-lo, o ministro do STF Gilmar Mendes diz que "suas condutas foram classificadas pelo Ministério Público como potencialmente configuradoras de crimes de gestão fraudulenta de instituição financeira e falsidade ideológica praticada por funcionário público, além de crimes contra a administração pública e lavagem de dinheiro".

Pai gera revolta ao dizer que filho condenado por estupro pagará 'preço alto' por 'ato de 20 minutos'2) O que foi o "mensalão mineiro"?

De acordo com o Ministério Público Federal, o mensalão mineiro foi um esquema de desvio de dinheiro de empresas públicas para financiar a campanha de reeleição do então governador de Minas, Eduardo Azeredo (PSDB), em 1998.

Esse esquema é visto pelo MPF como "origem e laboratório" do mensalão petista, que começou a ser investigado pela CPI dos Correios.

O esquema em Minas envolve alguns dos principais personagens do mensalão petista, como o publicitário Marcos Valério, e teria usado mecanismos semelhantes para desviar dinheiro e ocultar sua origem ilícita.

No mensalão tucano, porém, não há indícios de compra de apoio parlamentar - como ocorreu no caso do PT.

3) E o que isso tem a ver com Aécio?

A investigação se baseia na delação premiada do ex-senador Delcídio do Amaral (ex-PT-MS, hoje sem partido), que presidiu a CPI dos Correios.

Segundo ele, Aécio e outros líderes do PSDB se incomodaram com o pedido de quebra de sigilo fiscal do Banco Rural.

Delcídio afirma que Aécio enviou emissários para pedir que o prazo para a entrega de documentos do banco fosse prolongado, com a justificativa de que não haveria tempo hábil para prepará-los.

Segundo Delcídio, o objetivo dessa extensão era apagar informações comprometedoras da gestão tucana que ligariam o Rural ao mensalão mineiro. O ex-senador afirma que o próprio Aécio disse que os dados foram maquiados.

"A maquiagem consistiria em apagar dados bancários comprometedores que envolviam Aécio Neves, Clésio Andrade, a Assembleia Legislativa de Minas Gerais, Marcos Valério e companhia", disse Delcídio.

4) Mas qual a ligação entre o Banco Rural e o mensalão mineiro?

De acordo com a acusação, o Banco Rural teria sido usado para disfarçar pagamentos do esquema.

A Procuradoria diz que duas estatais e um banco público (Copasa, Comig e Bemge) repassaram - com autorização de Azeredo - R$ 3,5 milhões em patrocínios a três eventos esportivos promovidos por uma das agências publicitárias de Marcos Valério, personagem conhecido do mensalão petista.

5) Mas se isso aconteceu há tanto tempo, ainda é possível investigar?

Gilmar Mendes entendeu que, mesmo se tiver ocorrido, a prestação de informações falsas pelo Banco Rural não poderia mais ser levada a julgamento, porque ocorreu há mais de oito anos e o crime já estaria prescrito.

Mesmo assim, ele afirmou que é preciso investigar o crime, porque ele "se inseriria em uma série de práticas criminosas, ainda passíveis de persecução penal".

O ministro escreveu que a "representação se reporta a elementos indicando que o Estado de Minas Gerais e o Banco Rural teriam atuado juntos em um esquema que envolveu crimes contra o sistema financeiro, contra a administração pública e de lavagem de dinheiro, conhecido por 'mensalão mineiro'".

6) E o que vai acontecer agora?

O STF vai solicitar ao Banco Central que sejam liberadas informações sobre os dados encaminhadas pelo Banco Rural à CPI dos Correios.

O Supremo quer saber se o dado era "autêntico, consistente, íntegro" ou se enseja "crítica" ou "suspeição".

Gilmar Mendes também pediu que as caixas da CPI sejam lacradas no Senado.

7) Quem mais está sendo investigado?

O prefeito do Rio, Eduardo Paes (PMDB), e o ex-senador Clésio Andrade (PSDB-MG).

À época, Paes era secretário-geral do PSDB e sub-relator da CPI. Segundo Delcídio, ele teria sido um dos emissários de Aécio e teria agido para postergar o pedido de quebra de sigilo do Rural.

Já Andrade era vice-governador de Minas.

A Procuradoria-Geral da República também pediu ao STF que o deputado Carlos Sampaio (PSDB-SP) fosse investigado, mas Mendes considerou que não havia elementos suficientes contra ele.

8) Essa é a única investigação contra Aécio?

Não. Há uma outra investigação em que o senador e presidente do PSDB é acusado de receber propina de Furnas.

Este inquérito também tem como base a delação de Delcídio, além de informações dadas pelos doleiro Alberto Youssef.

Segundo o doleiro, Aécio recebia valores, por meio de sua irmã, de uma empresa contratada por Furnas.

9) Isso significa que Aécio é investigado na operação Lava Jato?

Não. Apesar de as citações a Aécio terem sido feitas no âmbito da Lava Jato, o relator da operação, Teori Zavascki, entendeu que não há conexão entre esses fatos e a Petrobras.

Por isso, os pedidos de investigação foram redistribuídos e estão a cargo do ministro Gilmar Mendes.

10) O que Aécio diz sobre as suspeitas?

Aécio nega todas as acusações.

Em nota, ele afirmou que tem absoluta convicção de que "os esclarecimentos a serem prestados demonstrarão de forma definitiva a improcedência e o absurdo de mais essa citação feita ao seu nome pelo ex-senador Delcídio".

Ele também disse que "jamais interferiu ou influenciou nos trabalhos de qualquer CPI" e que as investigações são a melhor forma de demonstrar isto.

Ele também nega ter recebido propina de Furnas.

11) E os outros investigados?

O prefeito do Rio, também por meio de nota, afirmou que "em nenhum momento Aécio solicitou qualquer tipo de benefício nas investigações da CPI" e que está à disposição da Justiça para prestar esclarecimentos.

Já Clésio Andrade, por intermédio de seu advogado, disse que não tinha conhecimento dos autos, mas que tratava-se "de matéria requentada, cuja pertinência já foi afastada anteriormente"

Ponto de vista

Diante a uma crise política e econômica,parlamentares são imunizados pelos seus cargos. Mas também defendidos por uma legislação fraca,corrupta e manipuladora. A partir de esquemas de caixa dois e suborno,a corrupção se enraizou no país,assim transformando-o em uma nação desestruturada.


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